Para marcar o centenário de um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos, a Rádio Batuta preparou o documentário “Orlando Silva – A voz e a vida”, com concepção, roteiro e apresentação do jornalista João Máximo. A data do centenário é 3 de outubro, quando entra no ar o quinto e último capítulo desta série especial.

Bastaram sete anos (1935 a 1942) para Orlando Silva impor sua voz como uma das mais bonitas já ouvidas no Brasil. Impulsionado pelo rádio, então em expansão, ele se tornou um ídolo popular, ganhando do radialista Oduvaldo Cozzi a alcunha “o cantor das multidões”. Cativou críticos, músicos e intérpretes, daqueles anos e dos futuros. João Gilberto o elegeu sua maior influência como cantor, tendo gravado várias músicas de seu repertório. Caetano Veloso, Paulinho da Viola são outros célebres fãs de Orlando, já tendo evocado seu estilo em algumas gravações.

A biografia de Orlando desperta quase tanto interesse quanto sua voz. De família pobre, perdeu cedo o pai violonista. Aos 16 anos, um acidente de bonde lhe custou três dedos esmagados e a posterior amputação de parte do pé esquerdo. A morfina usada para atenuar a dor voltaria à sua vida mais à frente, após uma cirurgia dentária. Também passou a usar cocaína e heroína. As drogas afetaram decisivamente sua voz e seu prestígio. Depois de 1942, nunca mais foi o mesmo, mas seguiu fazendo discos e sendo reverenciado. Morreu em 1978, aos 62 anos.

Entre suas gravações marcantes estão as de Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), canção lançada por ele em 1937; Rosa (Pixinguinha e Otávio de Souza), Lábios que beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo), Juramento falso (J. Cascata e Leonel Azevedo), Aos pés da cruz (Zé da Zilda e Marino Pinto), A primeira vez (Bide e Marçal), Nada além (Custódio Mesquita e Mário Lago) e Atire a primeira pedra (Ataulfo Alves e Mário Lago).

Concepção, roteiro e apresentação: João Máximo

Edição e sonorização: Filipe Di Castro