O poeta e compositor Bráulio Tavares analisa a habilidade narrativa e as diferenças de estilo entre John Lennon e Paul McCartney. Focando no “período de estúdio” da banda inglesa – quando deixaram de fazer shows e passaram a se ocupar exclusivamente da composição e da gravação de canções cada vez mais ousadas – Tavares destaca o caráter surreal e literário das criações de Lennon em contraposição à visualidade mais limpa e cinematográfica das canções de McCartney. Entre diversos comentários sobre as fontes de inspiração de músicas como She’s leaving home (inspirada numa notícia de jornal), Eleanor Rigby (curioso exemplo de anamnese) e Cry baby, cry (cujo refrão foi retirado de um pregão de feira), são levantados interessantes paralelos com a literatura fantástica, com o gênero de canções infantis tipicamente inglês, conhecido como “nursery rhymes” (canções repletas de reis e rainhas), e com filmes que fizeram a cabeça da geração 1960. Por fim, Tavares expõe pontos de encontro entre a poética dos Beatles e o que os tropicalistas andavam fazendo no Brasil.

Bráulio Tavares é compositor, poeta e ensaísta.

 

Apresentação: Bráulio Tavares

Edição: Paulo da Costa e Silva / Filipe Di Castro

Sonorização: Filipe Di Castro