O cearense Lira Neto, reconhecido como um dos mais importantes biógrafos do país graças a livros sobre Getúlio Vargas, Padre Cícero, Maysa e outros, decidiu fazer a biografia do principal gênero musical brasileiro, o samba. Lançado em fevereiro, Uma história do samba – As origens é o primeiro dos três volumes (os restantes sairão nos próximos dois anos) e tem impressionado pela quantidade de informações reunidas, inclusive documentos que desmontam antigos clichês. Em entrevista a Joaquim Ferreira dos Santos, no estúdio da Batuta, Lira detalha como a população negra do Rio de Janeiro foi negociando inserções, por meio do samba, numa sociedade elitista, que promovia demolições de casas (o “bota-abaixo”) e perseguições. O escritor mostra que as origens do gênero são complexas e não se prendem a fatores isolados, como o sucesso de Pelo telefone e a liderança de Tia Ciata, muito menos a purismos. E conta como os jovens do bairro do Estácio de Sá, que transformaram o samba no que conhecemos hoje, viviam de expedientes marginais, enfrentando doenças, violências e a polícia, não justificando o romantismo que a malandragem tem.

Repertório

Pelo telefone (Donga e Mauro de Almeida) – Almirante, Pixinguinha e Grupo da Velha Guarda

Batuque na cozinha (João da Baiana) – João da Baiana, Pixinguinha e coro

Tristezas não pagam dívidas (Ismael Silva) – Ismael Silva

Para me livrar do mal (Noel Rosa e Ismael Silva) – Francisco Alves

Jura (Sinhô) – Mario Reis e Diabos do Céu

A razão dá-se a quem tem (Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves) – Francisco Alves e Mario Reis

 

Apresentação: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição: Filipe Di Castro