Eram três boates apertadas num beco da Rua Duvivier, em Copacabana, no quarteirão da praia. No início dos anos 1960, a não ser que você fosse amigo da Nara Leão e curtisse a turma no apartamento da Avenida Atlântica, era o melhor lugar para se ouvir o ritmo que surgia, a bossa nova. A Bottle's, a Bacará e a Little Club formavam o Beco das Garrafas (havia ainda a Ma Griffe, mas a música ali era outra, aquela de mulheres sussurrando cifras no ouvido de seus fregueses). O gaúcho Miele produziu, sempre em companhia de Ronaldo Bôscoli, os principais show do Beco nos primeiros anos da década. Sergio Mendes, Elis Regina, Simonal, Jorge Ben – chega? – estrearam ali, em produções mambembes mas de enorme qualidade artística. Não restou qualquer gravação ao vivo daqueles shows. Miele conta a Joaquim Ferreira dos Santos histórias daquelas noites e apresenta, com seus intérpretes originais, as músicas que nasceram ali e foram gravadas depois em discos que hoje são clássicos da música brasileira.

Repertório

Borandá (Edu Lobo) – Tamba Trio

Neurótico (J.T. Meirelles) – Sergio Mendes & Bossa Rio

Nanã (Moacir Santos/Mário Telles) – Wilson Simonal

Samba do avião (Tom Jobim) – Os Cariocas

Quintessência (J.T. Meirelles) – Edison Machado

O pato (Jayme Silva/Neuza Teixeira) – Lennie Dale

Asa delta (J.T. Meirelles) – J.T. Meirelles e Copa 5

Estamos aí (Regina Werneck/Maurício Einhorn/Durval Ferreira) – Leny Andrade

 

Apresentação: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição e sonorização: Filipe Di Castro