A segunda mesa-redonda Gol de Cabeça dedicada à Copa das Confederações começou e terminou fazendo um elo entre o futebol brasileiro em campo, sobretudo a partir do que a seleção mostrou na vitória de 3 a 0 sobre o Japão, e as manifestações que vêm ocorrendo nas ruas de várias cidades do país. O historiador Marcos Alvito, usando ironia, criticou a covardia nas "preliminares" fora dos estádios entre os times policiais e os de manifestantes. No final, Nuno Ramos apontou o que vê como "um descompasso grande entre o futebol e a imagem dele". Enquanto Galvão Bueno e a TV Globo insistem na velha associação entre patriotismo e seleção, argumentou o escritor e artista plástico, a sociedade parece já não aceitar com tanta facilidade essa ideia, como indicou as vaias a Dilma Rousseff antes do jogo do Brasil.

Nuno, Alvito, o ensaísta Francisco Bosco e o jornalista Fernando Barros e Silva, diretor de redação da revista Piauí, destacaram alguns aspectos positivos do primeiro jogo do time de Luiz Felipe Scolari, como a atuação de Marcelo na lateral esquerda, a confirmação de Luiz Gustavo como um bom volante e o gol de Neymar, que o santista Nuno, solitariamente na mesa-redonda, insiste ter sido de canela. Mas enxergam problemas: falta de um padrão tático, David Luiz e mesmo Fred, que estaria atrapalhando o desempenho de Neymar. "Não entendo o que Daniel Alves está fazendo na seleção", afirmou Nuno, pedindo uma alternativa.

A atuação da Espanha na vitória de 2 a 1 sobre o Uruguai foi outro tema da mesa, variando do entusiasmo de Bosco e Fernando às ressalvas de Alvito e Nuno ("É um bobinho que se move", disse, referindo-se ao estilo que deixa o adversário na roda). Para Bosco, o Barcelona e, por extensão, a seleção espanhola é um acontecimento sem precedentes na história do futebol. "Está mais para a demonstração de um teorema do que para um épico rodriguiano", disse Bosco sobre o estilo quase previsível dos espanhóis, em que a posse da bola é o principal. Mas ele e Fernando consideram encantadora essa forma de jogar, enquanto Nuno é mais fã da imprevisibilidade.

A apresentação do Gol de Cabeça é de Luiz Fernando Vianna, coordenador de internet do IMS.

Edição e sonorização: Filipe Di Castro