A Praça Mauá, que está ganhando um banho de loja e se transformando numa das praças mais bonitas do mundo, precisa ser revista na música brasileira. Ali, no número 7, no prédio do antigo jornal A Noite, funcionava no 21º andar a Rádio Nacional, de onde saía o cancioneiro que milhares de quilômetros adiante formava uma geração de caetanos, miltons e outros futuros craques. A Praça Onze, ao redor da qual surgiu o samba, foi merecidamente cantada em clássicos. Falta música para reverenciar a importância da Praça Mauá, o palco transmissor das melodias que formaram um país. As poucas músicas que se referem a ela, sambas lindos de Billy Blanco e da dupla Moacyr Luz/Aldir Blanc, ainda falam de um cenário de marinheiros e prostitutas. Podia ser, e nisso nenhum mal há – mas hoje a Mauá é outra, a percepção de sua importância na memória nacional cresceu e, com a inauguração nos próximos dias do Museu do Amanhã, projeto do espanhol Santiago Calatrava, vai ficar ainda mais bonita. O que não falta é assunto para reparar a injustiça e inspirar os novos compositores na praça. É o que diz Joaquim Ferreira dos Santos em sua crônica musical.

Roteiro

Rancho da Praça Onze (João Roberto Kelly e Chico Anysio) – Dalva de Oliveira

Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo) – Trio de Ouro

Abertura do Programa Cesar de Alencar

Manuel Barcelos anuncia Dalva de Oliveira

Praça Mauá (Billy Blanco) – Isaura Garcia

Praça Mauá (Que mal há?) (Moacyr Luz e Aldir Blanc) – Moacyr Luz

 

Texto e locução: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição e sonorização: Filipe Di Castro