A música brasileira se apropriou de Carlos Drummond de Andrade de diversas maneiras. Em alguns casos, a poesia do grande mestre serviu de base para que compositores colocassem suas melodias, respeitando todos os versos originais. É o caso de E agora, José? (Paulo Diniz), Jornal de serviço (Adriana Calcanhotto), Anoitecer (José Miguel Wisnik), Canção amiga (Milton Nascimento) e Sentimental (Belchior). A obra de Drummond serviu de inspiração para sambas-enredos: da Unidos de Vila Isabel em 1980 e da Mangueira em 1987. Há casos ainda em que os compositores inspiraram-se rapidamente em Drummond. Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Galvão, dos Novos Baianos, fizeram no início dos anos 1970 Ao poeta e citam o nome de Drummond em um comentário sobre a liberdade de se mexer com as palavras. Chico Buarque, em Flor da idade, termina a canção fazendo uma versão acelerada do poema “Quadrilha”, mas usando nomes inventados por ele e que coubessem na melodia. Marina e Antonio Cicero foram ainda mais sutis. Em Virgem, passada na cena urbana do Leblon, eles se lembraram do título de um dos mais famosos poemas de Drummond e o citam rapidamente (mas com o maior charme) na letra: “Os inocentes do Leblon”.

Músicas

Anoitecer (José Miguel Wisnik e Carlos Drummond de Andrade) – José Miguel Wisnik

Canção amiga (Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade) – Milton Nascimento

Jornal de serviço (Adriana Calcanhotto e Carlos Drummond de Andrade) – Adriana Calcanhotto e BossaCucaNova

E agora, José? (Paulo Diniz e Carlos Drummond de Andrade) – Paulo Diniz

Sentimental (Belchior e Carlos Drummond de Andrade) – Belchior

Sonho de um sonho (Martinho da Vila, Rodolpho e Graúna) – Martinho da Vila

Flor da idade (Chico Buarque) – Chico Buarque

No reino das palavras – Carlos Drummond de Andrade (Rody, Verinha e Bira do Porto) – Jamelão e coro

Virgem (Marina Lima e Antonio Cicero) – Marina Lima

Ao poeta (Galvão, Pepeu Gomes e Moraes Moreira) – Novos Baianos

 

Seleção: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição e sonorização: Filipe Di Castro