Jair Rodrigues, morto neste 8 de maio aos 75 anos, era um sambista sem preconceitos. Seu primeiro grande sucesso, em 1964, foi o Deixa isso pra lá, algo na linha de Jorge Ben que havia acabado de estourar, e dezenas de anos na frente do que mais tarde seria desenvolvido daquele jeito, um canto falado, pelos rappers.  Paulista de Igarapava, fez toda sua carreira em São Paulo. Em 1965, juntou-se a Elis Regina na apresentação do programa “O fino da bossa”, na TV Record. O lançamento em disco, em dois volumes, das apresentações dos dois cantores tornou-se um dos maiores fenômenos da música brasileira. Os sucessos principais desses discos são os pot-pourris, colagens de trechos de músicas que a partir dali viram por muitos anos uma mania entre os cantores nacionais.

Jair brilhou outras vezes nos anos 1960, como na gravação de Tristeza, de Niltinho Tristeza e Haroldo Lobo. Em 1966, a toada nordestina Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, defendida por Jair, ganhou o Festival da Record juntamente com A banda, de Chico Buarque. Pela primeira vez, Jair, notável pelas brincadeiras em palco, apresentava-se em tom dramático.

Durante toda sua carreira, alternou as duas características. Fez discos saltitantes com os sambas-enredos, por exemplo, da mesma maneira que divulgou outros, dolentes.

A Batuta selecionou algumas de suas gravações.

Músicas:

Deixa isso pra lá (Alberto Paz e Edson Meneses)

Zigue-zague (Alberto Paz e Edson Meneses)

Disparada (Geraldo Vandré e Theo de Barros)

Irmãos Coragem (Nonato Buzar e Paulinho Tapajós)

Pot-pourri com Elis Regina:
O morro não tem vez (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
Feio não é bonito (Carlos Lyra e Gianfrancesco Guarnieri)
Samba do carioca (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes)
Esse mundo é meu (Sergio Ricardo e Ruy Guerra)
A felicidade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
Samba de negro (Roberto Correia e Sylvio Son)
Vou andar por aí (Newton Chaves)
O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros)
Diz que fui por aí (Zé Keti e Hortêncio Rocha)
Acender as velas (Zé Keti)
A voz do morro (Zé Keti)

Tristeza (Niltinho Tristeza e Haroldo Lobo)

Bloco da solidão (Evaldo Gouveia e Jair Amorim)

Orgulho de um sambista (Gilson de Souza)

Triste madrugada (Jorge Costa)

 

Edição: Filipe Di Castro