As grandes orquestras brasileiras dos anos 1950 botavam o país para dançar todos os ritmos. Sem preconceito. Esta playlist de sambas, mambos e cha-cha-chás foi realizada exclusivamente com fonogramas do acervo do Instituto Moreira Salles.

A Orquestra de Silvio Mazzuca foi a grande atração do circuito de bailes na capital de São Paulo. Regente, pianista, compositor e arranjador, Silvio tornou-se diretor da orquestra da Rádio Tupi em 1942. Influenciado pelas big bands americanas, sua primeira composição foi o fox “You only you”, que gravou em 1950. Sua obra discográfica, repleta de todo tipo de música dançante, está reunida em dez LPs. Nos anos 1960, seu nome saiu das fronteiras paulistas e, com sua orquestra, chegou a animar bailes de formatura no Rio. Dirigiu, pela TV Excelsior, os primeiros festivais de música dos anos 1960.

A Orquestra Tabajara de Severino Araújo é a grande referência nacional de música para dançar. Ela foi formada na Paraíba, em 1933, graças à iniciativa de um empresário holandês que distribuiu instrumentos e partituras trazidas dos EUA entre músicos pobres de João Pessoa. Em 1937, dirigida pelo maestro Luna Freire, foi contratada pela recém inaugurada PRI-4, a emissora oficial do governo estadual. O pernambucano Severino Araújo, saxofonista, assumiria a orquestra na década seguinte. Fã do estilo das orquestras americanas, com uma sonoridade baseada nos metais, introduziu elementos de sopro como trombone, pistão, clarineta e novos saxofonistas. Na década de 1940, a orquestra foi contratada pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro e passou a ser a mais requisitada para gravações.

Djalma Ferreira e os Milionários do Ritmo apareceram em 1945. A pequena orquestra apresentava-se principalmente em boates do Rio de Janeiro e, em épocas diversas, teve como crooners cantores que depois fariam carreiras solo de grande prestígio na MPB, como foram os casos de Miltinho e Jair Rodrigues. Foi no grupo que surgiu também Ed Lincoln, outro rei dos bailes nos anos 1960. Ao solovox, Djalma gravou uma dezena de LPs, sempre com um ritmo bem balançado, feito para a ginga dos casais. No início dos anos 1960, mudou-se para os EUA, onde continuou gravando.

A Orquestra de Waldir Calmon teve origem no conjunto Gentlemen da Melodia, que animou a boate do Cassino Atlântico no final dos anos 1940. Waldir Calmon, pianista, mineiro, também foi o responsável pela música da boate Night and Day, um símbolo de glamour dos anos dourados do Rio. Fez carreira em programas de rádio e TV, mas foi através de duas séries de discos (Ritmos melódicos e Feito para dançar) que se tornou um grande band-leader nacional, uma espécie de sinônimo da dança de salão. Tinha uma boate na Zona Sul do Rio, a Arpége.

Músicas

Patrícia (Perez Prado) – Orquestra de Silvio Mazzuca

Samba que eu quero ver (Djalma Ferreira) – Djalma Ferreira e Os Milionários do Ritmo

Mambo número 5 (Perez Prado) – Orquestra Valdir Calmon

Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico) – Orquestra Tabajara de Severino Araújo

Cha-cha-baby (L. Rico) – Orquestra Silvio Mazzuca

Casa da Loló (Bicalho) – Djalma Ferreira e Os Milionários do Ritmo

Universitário (Perez Prado) – Orquestra de Valdir Calmon

Adiós (E. Madrigueira) – Orquestra de Valdir Calmon

Ca-cha-cha (Silvio Mazzuca) – Orquestra de Silvio Mazzuca

Guriatã de coqueiro (Ratinho) – Orquestra Tabajara de Severino Araújo

 

Seleção: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição e sonorização: Filipe Di Castro