O Rio São Francisco, por onde andavam as carrancas que o Instituto Moreira Salles está expondo em sua sede no Rio de Janeiro (juntamente com fotos de Marcel Gautherot), tem se mantido como figura importante da alma nacional também na música. Ele aparece em canções de exaltação e, também, nas que tratam das suas transformações, como a construção de represas (Sobradinho, de Sá e Guarabyra). Joaquim Ferreira dos Santos organizou uma playlist com músicas em que o São Francisco foi fonte de inspiração. De Luiz Gonzaga e Zédantas, no baião clássico Riacho do navio (em versão modernizada de Fagner), até Caetano Veloso, que mistura drama e mistério enquanto anuncia as cidades por onde vai passando o rio, em O ciúme. O compositor Geraldo Azevedo, nascido às margens pernambucanas, fez um álbum conceitual com todas as faixas sobre ele (Salve Chico) e tem duas dessas músicas na lista. O “rio da integração nacional”, “o Nilo brasileiro” inspirou desde samba-canção de Alcyr Pires Vermelho e Alberto Ribeiro para a voz aveludada de Dick Farney (em 1946) até samba-enredo da Mangueira (Cartola e Carlos Cachaça, em 1948).

Repertório

O ciúme (Caetano Veloso) – Caetano Veloso

Carranca que chora (Geraldo Azevedo e Capinan) – Maria Bethânia e Geraldo Azevedo

Petrolina-Juazeiro (Jorge de Altinho) – Alceu Valença

Vale do São Francisco (Cartola e Carlos Cachaça) – Cartola

São Francisco (Moraes Moreira) – Moraes Moreira

Riacho do navio (Luiz Gonzaga e Zédantas) – Fagner

Sobradinho (Sá e Guarabyra) – Sá e Guarabyra

Barcarola do São Francisco (Geraldo Azevedo e Carlos Fernando) – Geraldo Azevedo e Djavan

Barqueiro do São Francisco (Alcyr Pires Vermelho e Alberto Ribeiro) – Dick Farney

 

Seleção: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição e sonorização: Filipe Di Castro