Os conjuntos brasileiros que se apresentam no Rock in Rio devem muito aos pioneiros do gênero no país. A primeira gravação de um rock aqui foi em 1955, Rock around the clock, com Nora Ney. Sim, ela mesma, a grande musa do samba canção e da dor de cotovelo. Não havia artistas formados naquela nova cultura, jovens, rebeldes, e logo em seguida Cauby Peixoto gravaria o Rock de Copacabana. O rock brasileiro do final dos anos 1950 foi muito comportado. Sérgio Murilo, os irmãos Tony e Celly Campelo, Demetrius e os Diamantes Negros eram todos bons meninos de família. As letras falavam em “lacinhos cor de rosa”. Nada a ver com o rock de pélvis provocante de Elvis Presley, o grande cantor da cena rock internacional. Esta fase ficou conhecida como Pré-Jovem Guarda e mostra uma busca de identidade, com o rock se misturando a ritmos nordestinos, humoristas de televisão como Jô Soares fazendo gracinhas com vampiros transviados. Até o Saci Pererê aparece num dos sucessos da época e, tentando se urbanizar, deixa o cachimbo do folclore e fila um cigarro. Esta fase de ingenuidades termina quando Roberto Carlos grava Parei na contramão, já na entrada dos anos 1960. O rock ganha velocidade, surge uma tradução original e, voando no carro da modernidade, começa a cronicar em forma de música uma parte da juventude brasileira antenada com as últimas informações internacionais.

Esta é a história que Joaquim Ferreira dos Santos,  entrevistando o pesquisador Valdir Siqueira, o maior colecionador de LPs da Pré-Jovem Guarda, conta no primeiro programa da série de quatro especiais da Rádio Batuta sobre o rock no Brasil.

As músicas podem ser ouvidas nos três blocos do programa ou isoladamente.

 

Repertório

Bloco 1
Rock around the clock (Max C. Freedman / Jimmy De Knight, pseudônimo de James E. Myers) – Nora Ney
Rock and roll em Copacabana (Miguel Gustavo) – Cauby Peixoto
Até logo, jacaré (R. Guidry, versão de Júlio Nagib) – Agostinho dos Santos
Sonhando (Ellis / Vorzon, versão de J. Fernandes) – Elis Regina
Tô doido pra ficar maluco (Ataíde Pereira / Rodrigues da Silva) – Gordurinha

Bloco 2
Vampiro (Jô Soares) – Jô Soares
Menino danado (Noriel Vilela) – Os Diamantes Negros
Tigre (Nino Tempo/Esther Delamare) – Norma Suely

Bloco 3
Biquínis e borboletas (Britinho e Fernando César) – Wilson Simonal
Broto legal (H. Earnhart, versão de Renato Côrte Real) – Sérgio Murilo
Rock do saci (Tony Chaves e Baby Santiago) – Demétrius
Parei na contramão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) – Roberto Carlos

 

Apresentação: Joaquim Ferreira dos Santos
Entrevistado: Valdir Siqueira
Edição e sonorização: Filipe Di Castro