Sylvia Telles (1934-1966) começou cantando sambas-canção nas boates do início dos anos 1950, mas era tão moderna que não teve qualquer dificuldade de, em seguida, sem mudar muito, se tornar a principal cantora da bossa nova. Finalmente, depois de ser personagem importante em livros sobre a história dos dois gêneros, ela está ganhando a própria biografia, assinada por Gabriel Gonzaga, a ser publicada em 2021 em esquema colaborativo (no site somdatoca.com.br).

Entre curiosidades do livro está, para quem não sabe, a de que Sylvia foi namorada de João Gilberto, por volta de 1952, quando o baiano cantava com um vozeirão tentando emular o ídolo, Orlando Silva. Ela, no entanto, já estava em outra, mais moderna. Já apresentava uma voz em que privilegiava a emissão natural, despojada – o futuro de João.

Joaquim Ferreira dos Santos entrevistou Gabriel, por Zoom, e organizou um roteiro musical que cobre toda a carreira de Sylvinha, como era chamada. Entre outros méritos, ela teve o de ser a maior lançadora de inéditos de um amigo das noites magras das boates de Copacabana. Era apenas a crooner e ele, o pianista que a acompanhava, um dia seria o grande compositor Tom Jobim.

Repertório

Foi a noite (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça) – Sylvia Telles

Duas contas (Garoto) – Sylvia Telles

Sucedeu assim (Antonio Carlos Jobim e Marino Pinto) – Sylvia Telles

Caminhos cruzados (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça) – Sylvia Telles

Lobo bobo (Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli) – Sylvia Telles

Você e eu (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) – Sylvia Telles

Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloísio de Oliveira) – Sylvia Telles e Rosinha de Valença (violão)

Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) – Sylvia Telles

Fotografia (Antonio Carlos Jobim) – Sylvia Telles

 

Apresentação: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição: Filipe Di Castro