Carlos Coqueijo Costa presidia a Associação Atlética da Bahia, em 1960, e convidou os amigos João Gilberto e Vinicius de Moraes para se apresentarem nos 46 anos do clube, em Salvador. Duas das músicas interpretadas por João são do disco O amor, o sorriso e a flor, lançado em maio daquele ano. A fita guardada por Coqueijo só tem uma parte da apresentação. Vinicius, a pedido do anfitrião, procurou explicar o que era a bossa nova. Mas também cantou.

É a primeira vez que esse material vem a público, juntamente com outros dois gravados em fitas de rolo por Coqueijo: João Gilberto e Astrud em casa de Carlos Coqueijo, 10/9/1959João Gilberto em casa de Carlos Coqueijo, 28/11/1960

Aydil Coqueijo, viúva de Carlos, passou para fitas cassete e, mais tarde, encomendou a digitalização. Repassou uma cópia para a pesquisadora Edinha Diniz, que cedeu os áudios à Batuta.

Sobre Coqueijo (1924-1988): é autor (com Alcyvando Luz) de É preciso perdoar, samba que João incluiu em três discos, a começar pelo seu “álbum branco”, de 1973. Como jurista, chegou a ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Como artista e amigo de artistas, apresentou Caetano Veloso a João Gilberto, e Nara Leão ao grupo baiano. Foi professor de Gilberto Gil na faculdade de administração.

Sequência dos áudios

Coqueijo e Vinicius falam; João interpreta Chega de saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes); Coqueijo e Vinicius falam (14:27) – Antes de chamar João e Vinicius ao palco, Coqueijo avisa que pedirá ao poeta para “dizer alguma coisa sobre esse movimento que se chama bossa nova”. Entre outras coisas, Vinicius afirma que a bossa nova mostrou que havia “orquestrações falsas, instrumentações falsas, maneiras de cantar falsas, bolerizações, jazzificações da música popular brasileira que já não cabiam mais”.

João interpreta Samba de uma nota só (Tom Jobim e Newton Mendonça); Vinicius, com João ao violão, canta Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes) (5:30) – João tinha lançado Samba de uma nota só naquele ano, no LP O amor, o sorriso e a flor. Canta e, em seguida, pede para Vinicius cantar “Quando a luz dos olhos meus”. O título, na verdade, é Pela luz dos olhos teus.

Coqueijo e Vinicius falam; João interpreta O pato (Jaime Silva e Neuza Teixeira) (4:25) – Coqueijo pergunta, e Vinicius fala da influência da bossa nova sobre a juventude. E pede para João cantar O pato, pois “serve para adultos, para crianças e para velhos”. A música também estava no disco lançado em 1960.

Coqueijo e Vinicius falam; Vinicius, com João ao violão e dividindo o refrão, canta Água de beber (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) (5:28) – A música era recente, feita para o filme O santo módico, que só estrearia em 1964. Vinicius conta que o refrão veio de uma roda de capoeira a que assistiu em 1942, em Salvador. João jamais gravou o samba.

Coqueijo fala; João Gilberto inicia Doralice (Dorival Caymmi e Antônio Almeida) e a fita é interrompida (0:41) – Só há tempo de João fazer parte dos vocais da introdução.