João Gilberto interpretou na casa do amigo Carlos Coqueijo, em Salvador, músicas que se tornariam inesquecíveis na sua voz, mas que ele ainda não gravara em disco. São os casos de Saudade da Bahia O samba da minha terra, por exemplo. Outras seis registradas na fita nunca entraram em sua discografia.

É a primeira vez que esse material vem a público, juntamente com outros dois gravados em fitas de rolo por Coqueijo: João Gilberto e Astrud em casa de Carlos Coqueijo, 10/9/1959 e João Gilberto e Vinicius em show na Bahia, 29/10/1960.

Aydil Coqueijo, viúva de Carlos, passou para fitas cassete e, mais tarde, encomendou a digitalização. Repassou uma cópia para a pesquisadora Edinha Diniz, que cedeu os áudios à Batuta.

Sobre Coqueijo (1924-1988): é autor (com Alcyvando Luz) de É preciso perdoar, samba que João incluiu em três discos, a começar pelo seu “álbum branco”, de 1973. Como jurista, chegou a ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Como artista e amigo de artistas, apresentou Caetano Veloso a João Gilberto, e Nara Leão ao grupo baiano. Foi professor de Gilberto Gil na faculdade de administração.

Repertório

Dorme que eu velo por ti (Roberto Martins e Mário Rossi) (4:09) – João Gilberto (voz, assobio e violão). Inédita em sua discografia. Nelson Gonçalves lançou em 1942. Há ruídos no áudio.

Trem de ferro (Lauro Maia) (1:52) – João Gilberto (voz e violão). Gravou a marcha, que amava desde a infância em Juazeiro, em seu disco de 1961, João Gilberto. A versão original é de 1943, com o conjunto Quatro Ases e Um Coringa.

Saudade da Bahia (Dorival Caymmi) (2:34) – João Gilberto (voz e violão). Gravou no disco de 1961. O samba recebeu versões em 1957 do autor, Dorival Caymmi, de Nora Ney e de Marlene.

O samba da minha terra (Dorival Caymmi) (1:53) – João Gilberto (voz e violão). Também gravou em 1961. A primeira gravação é a do Bando da Lua, de 1940.

Bahia com h (Denis Brean) (2:13) – João Gilberto (voz e violão). Só gravou em 1980, em disco resultante de um especial da TV Globo. Francisco Alves lançou em 1947.

Nada além (Custódio Mesquita e Mário Lago) (1:17) – João Gilberto (voz e violão). Inédita. A gravação original é de Orlando Silva, em 1938.

Cigana (Billy Reid, versão de Vera F. Corrêa da Silva) (3:36) – João Gilberto (voz e violão). Inédita. Orlando Silva gravou em 1947.

Sem este céu (Luiz Bonfá) (1:48) – João Gilberto (voz e violão). Inédita. Dick Farney gravou em 1952.

Bossa nova (Miguel Gustavo) (1:18) – João Gilberto (voz e violão). Inédita. Canta o seu próprio nome e brinca com o estilo da “bossa velha”. Os Cariocas interpretariam em 1962, no show Encontro, que reuniu João, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e o conjunto no Au Bon Gourmet, no Rio.

O nosso olhar (Sérgio Ricardo) (2:12) – João Gilberto (voz e violão). Inédita. João também cantou esta música de seu grande amigo Sérgio Ricardo numa apresentação no Auditório Ibirapuera, em 2008.

Lá vem a baiana (Dorival Caymmi) (2:40) – João Gilberto (voz e violão). As outras pessoas tentam fazer um coro. Ele só veio a registrar em disco em Eu sei que vou te amar, o ao vivo de 1994. Dorival Caymmi lançou em 1947, e Lúcio Alves gravou a sua versão em 1959.