Grada Kilombo, que se define como “artista interdisciplinar”, é portuguesa e vive em Berlim. Diz que, por mais que goste de vir ao Brasil, vê no país um caso de “colonialismo bem-sucedido”. Ela se espanta com os prédios em que há porta da frente e porta dos fundos, “para os corpos não se encontrarem”. E nos quais uma pessoa fica boa parte do dia atrás de uma mesa apertando um botão para abrir e fechar portas. “Isso é inconcebível em Berlim. São serviços de humilhação: limpar o lixo, servir o café, abrir a porta do elevador. É algo anterior ao colonialismo. É escravatura”, afirmou na Casa do IMS, em entrevista à poeta e tradutora brasileira Stephanie Borges. Autora de Memórias da plantação (Cobogó), ela ressaltou que “racismo não tem nada a ver com moralidade, mas com responsabilidade”.