O ano de 1946 foi uma espécie de marco de uma nova fase na história da canção brasileira. Foi o início da transição entre a tradição e a modernidade, período em que veteranos da Época de Ouro em final de carreira conviviam com iniciantes que em breve estariam participando do movimento da Bossa Nova. Uma das novidades foi o baião, que projetou personagens que se tornariam bem representativos daquele momento, dentre os quais, o cantor, compositor e sanfoneiro Luiz Gonzaga e seu parceiro Humberto Teixeira, que estilizaram e popularizaram a música nordestina. O ciclo do baião, a música que melhor enfrentou a invasão do bolero ao final dos anos 40, começou com o lançamento de uma  composição da dupla Gonzagão-Humberto Teixeira, em outubro de 1946.  Conscientes de seu potencial até então pouco explorado da música nordestina, os compositores foram os estilizadores que tornaram o baião assimilável ao gosto do público urbano. Foi, justamente, o que fizeram com “Baião”, a peça abre-alas do gênero.

Bloco 1
Baião (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) – Quatro Ases e um Coringa
Cortando pano (Luiz Gonzaga, Miguel Lima e J. Portela) – Luiz Gonzaga

Bloco 2
A valsa do vaqueiro (Vitor Simon) – Bob Nelson e Seus Rancheiros – valsa
Mensagem (Cícero Nunes e Aldo Cabral) – Isaura Garcia – samba
Até hoje não voltou (Geraldo Pereira e J. Portela) – Cyro Monteiro – samba
O que se leva dessa vida (Pedro Caetano) – Cyro Monteiro – samba

Bloco 3
Porta aberta (Vicente Celestino) – Vicente Celestino
Mia Gioconda (Vicente Celestino) – Vicente Celestino
Geremoabo (Joubert de Carvalho) – Gilberto Milfont
Minha terra (Valdemar Henrique) – Francisco Alves

Bloco 4
Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro) – Dick Farney
Barqueiro de São Francisco (Alcir Pires Vermelho e Alberto Ribeiro) – Dick Farney
Fracasso (Mário Lago) – Francisco Alves
Não me deixe sozinho (Roberto Martins e Ari Monteiro) – Orlando Silva
Saia do caminho (Custódio Mesquita e Evaldo Rui) – Araci de Almeida

Bloco 5
Chorando baixinho (Abel Ferreira) – Abel Ferreira
Paraquedista (José Leocádio) – Severino Araújo e sua Orquestra Tabajara
Os pintinhos do terreiro (Zequinha de Abreu) – Orquestra Colbaz

Bloco 6
Trabalhar eu não (Almeidinha) – Joel de Almeida (na verdade, Onésimo Gomes)
Promessa (Jaime de Carvalho, mais conhecido como Coló – Joel de Almeida e Grande Escola de Samba
Cordão dos puxa-sacos (Roberto Martins e Erastótenes Frazão) – Anjos do Inferno
Espanhola (Benedito Lacerda e Haroldo Lobo) – Nelson Gonçalves
No boteco do José (Wilson Batista e Augusto Garcez) – Linda Batista

Bloco 7
Rugas (Nelson Cavaquinho, Augusto Garcez e Ari Monteiro) – Cyro Monteiro com acompanhamento de K-Ximbinho, Benedito Lacerda e Regional

 

Baseado no livro “A canção no tempo”, de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello
Adaptação, pesquisa e texto: Carla Paes Leme
Locução: Cláudia Diniz
Sonorização: Filipe Di Castro
Edição: Carla Paes Leme e Filipe Di Castro
Supervisão: Francisco Bosco

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