Aos 76 anos, completando 60 anos de carreira, Jards Macalé está lançando um CD feito em parceria com uma nova geração de músicos paulistas. O clima sombrio da capa de Besta fera, com uma foto do cantor em silhueta, continua em algumas faixas do disco, puxado ainda pela voz rouca do cantor. Há, no entanto, sonoridades próximas de sambas de Adoniran Barbosa. Nesta entrevista a Joaquim Ferreira dos Santos, no estúdio da Rádio Batuta, Macalé defende o samba paulista, fala sobre a produção de Besta fera e apresenta ao vivo, acompanhando-se do violão, algumas músicas dele e de outros momentos de sua carreira, que começou nos tempos da bossa nova, passou pela companhia dos baianos tropicalistas e renasce agora na ao lado de Tim Bernardes e da vanguarda de São Paulo. Sempre com muito humor, conta o significado da expressão “morbeza romântica” e a compara com a “sofrência” atual. Macalé perfila a geração dos compositores malditos de 1972, narra a sua expulsão do Colégio Militar e, pela primeira vez, canta a marchinha em “homenagem” a Magalhães Pinto (político, ministro, banqueiro), o que lhe custou uma de suas prisões no tempo da ditadura militar.

Todas as músicas do programa foram interpretadas por Macalé no estúdio da Batuta, no Rio de Janeiro.

Repertório

Farinha do desprezo (Jards Macalé e Capinan)

Buraco da Consolação (Jards Macalé e Tim Bernardes)

Gotham City (Jards Macalé e Capinan)

Tira os óculos e recolhe o homem (Jards Macalé e Moreira da Silva)

Magalhães Pinto (Jards Macalé)

Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão)

Mal secreto (Jards Macalé e Waly Salomão)

Dona de castelo (Jards Macalé e Waly Salomão)

The archaic (Jards Macalé e Duda Machado)

Rei de Janeiro (Jards Macalé e Glauber Rocha)

Coração do Brasil (Jards Macalé)

Meu amor, meu cansaço (Jards Macalé, Kiko Dinucci, Thomas Harres e Romulo Fróes)

 

Apresentação: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição: Filipe Di Castro

Vídeos: Laura Liuzzi

 

Macalé canta trecho de “Vapor barato” e recorda expulsão do Colégio Militar.

Macalé conta a história de sua prisão e canta o que a motivou: a marchinha ironizando o político e banqueiro Magalhães Pinto.

Macalé canta trecho de “Mal secreto” e fala da expressão “morbeza romântica”.

 

Macalé canta trecho de “Buraco da Consolação”, parceria com Tim Bernardes.

 

Macalé canta trecho de “Meu amor e meu cansaço”, de seu novo CD.