Na mesa “Visões de Canudos”, na Casa do IMS, Jorge Coli, professor de história da arte da Unicamp, dissecou Os sertões, para ele “o maior livro da nossa literatura”. As ideias racistas de Euclides da Cunha não sobreviveram à “inteligência das mãos” do escritor, que produziu um livro de extrema beleza, com uma poética particular e que denunciou o massacre cometido pelo Exército contra os sertanejos.

Antes, Hélio de Seixas Guimarães, professor do departamento de letras da USP, mostrou como Machado de Assis e Olavo Bilac, escrevendo do Rio de Janeiro, abordaram a Guerra de Canudos entre 1893 e 1897. Enquanto Bilac reproduziu nas crônicas a ideia corrente de que a população do vilarejo era um bando de fanáticos (e deu a Antônio Conselheiro uma lista de adjetivos ofensivos), Machado, sem perder a sutileza, fez um “protesto contra a perseguição que se está fazendo à gente de Antônio Conselheiro”. Ainda vinculou a guerra à ordem capitalista internacional, previu que um livro surgiria para eternizá-la e fez uma pergunta mais atual do que nunca: “O que nos ficará depois da vitória da lei?”.

A mediação foi de Guilherme Freitas, idealizador e apresentador do podcast Sertões: histórias de Canudos.