Na mesa “Sobre o autoritarismo brasileiro”, mesmo título de seu livro (Companhia das Letras), a historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz detalhou, em entrevista a Paulo Roberto Pires, o quanto é falso o mito da democracia racial no Brasil. Foi o último país a abolir a escravidão e aqui ficaram 4,8 milhões de africanos. Também vêm desde sempre a desigualdade social e o autoritarismo. Ela analisou como chegamos a uma “democradura”, conceito que usa para classificar o governo Bolsonaro, além do de Donald Trump nos EUA e outros. Lilia ressaltou a importância de Marielle Franco e, embora muito preocupada com o “silêncio da sociedade”, demonstrou esperança: “Não estamos com essa batalha perdida”. E cita o que Guimarães Rosa falou sobre a vida em Grande sertão: veredas: “O que ela quer da gente é coragem”.