Luiz Barbosa é o continuador de um estilo que no final da década de 1920 havia sido lançado por Mario Reis, um cantor de poucos recursos vocais, zero de dó de peito, uma emissão baixa, mas que fazia tudo isso com muito charme e bossa. Eles balançavam, davam a impressão de que estavam se divertindo muito com aquilo. O humor chegava ao samba e aos poucos Luiz Barbosa, com sua maneira de cantar falando, instaurava os primórdios do samba de breque. Se Moreira da Silva, que surgiria depois, parava o samba para discursar o que lhe desse na telha, Barbosa improvisava frases, acelerava ou diminuía a cantoria para encaixar frases inesperadas.

Luiz Barbosa foi um batuta completo dos anos 1930, a primeira década de ouro da música brasileira. Deixou o samba brecado para Vassourinha, que também batucava no chapéu de palha e cantava macio. Outros que puseram o samba de breque pra correr foram Cyro Monteiro, Blecaute, Risadinha, Caco Velho, Dicró, Bezerra da Silva, Dilermando Pinheiro (que curtia um chapéu para batucar) e o grande Roberto Silva.

Neste programa, Joaquim Ferreira dos Santos apresenta a história e as músicas que consagraram Luiz Barbosa como um dos grandes cantores brasileiros.

Músicas

Na estrada da vida (Wilson Baptista) – Luiz Barbosa

Lalá e Lelé (Jaime Brito e Manezinho Araújo) – Luiz Barbosa

Bebida, mulher, orgia (Aniz Murad, Luiz Pimentel e Manoel Rabaça) – Luiz Barbosa

No tabuleiro da baiana (Ary Barroso) – Carmen Miranda e Luiz Barbosa

Vou te dar (Alcebíades Barcelos e Getúlio Marinho) – Luiz Barbosa

Oh! Oh! Não (A. Godinho e Antônio Almeida) – Luiz Barbosa

Você pensa que eu não vi (Hervé Cordovil e Roberto Martins) – Luiz Barbosa

Caixa Econômica (Nássara e Orestes Barbosa) – João Petra de Barros e Luiz Barbosa

Apresentação: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição e sonorização: Filipe Di Castro