Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema Nosso tempo duas décadas antes do golpe militar de 1964. Escreveu-o tendo na mente a Segunda Guerra Mundial, que marcou todo o seu livro A rosa do povo (1945). Mas é um poema que há muito deixou de ser moderno e virou eterno. E que traduz qualquer “tempo de homens partidos”. Traduz qualquer tempo sombrio, como foi o da ditadura militar no Brasil.

“Este é tempo de divisas,/ tempo de gente cortada/ De mãos viajando sem braços,/ obscenos gestos avulsos”, escreveu Drummond em uma das quadras deste longo e acachapante poema, lido aqui pelo também poeta e professor de literatura Eucanaã Ferraz, permanente estudioso da obra do artista de Itabira.

Narração: Eucanaã Ferraz

Edição e sonorização: Filipe Di Castro