Em 2005, fiz uma reportagem para a Folha de S. Paulo sobre o CD Vida noturna, de Aldir Blanc (na foto de Leonardo Aversa, acendendo um cigarro, como pede a faixa-título). Mary, mulher de Aldir, me disse (e eu repeti no texto) que o disco, de tão belamente triste, era “para se ouvir no térreo”. A expressão se tornou uma das minhas favoritas (e de pessoas que souberam dela). O programa Seleções me permite agora fazer uma primeira lista de canções tristes e oferecê-la a quem compartilhar do pensamento de que há muita beleza na tristeza. O que une as dez é o vasto tema da desilusão amorosa, especialmente a sensação de que “às vezes o amor acaba como se fosse melhor nunca ter existido”, tal como escreveu Paulo Mendes Campos na célebre crônica “O amor acaba”. Mesmo que ouvir essas canções possa trazer alguma dor, há aquilo que Chico Buarque ensinou: “É melhor sofrer em dó menor do que sofrer calado”. (Luiz Fernando Vianna, coordenador de internet do IMS).

Repertório 

Vida noturna (João Bosco/Aldir Blanc) – Aldir Blanc e João Bosco

Me deixa em paz (Monsueto/Ayrton Amorim) – Milton Nascimento e Alaíde Costa

Ternura antiga (Dolores Duran/ J. Ribamar) – Nana Caymmi

Amargura (Radamés Gnattali/Alberto Ribeiro) – Nana Caymmi

Soneto (Chico Buarque) – Nara Leão

Pra que mentir (Noel Rosa/Vadico) – Paulinho da Viola

Tudo se transformou (Paulinho da Viola) – Caetano Veloso

A visita (Ivan Lins/Vitor Martins) – Ivan Lins

Canção em modo menor (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) – Tom Jobim

É preciso dizer adeus (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) – Tom Jobim e Edu Lobo
Edição e sonorização: Filipe Di Castro