Nascido no bairro italiano do Brás, Oswaldo Gogliano, o Vadico, iniciou e terminou sua carreira em São Paulo. E vêm sendo os paulistas os que mais reclamam para o conterrâneo o reconhecimento póstumo que ele continua sem ter. Neste minucioso documentário em três capítulos, o jornalista João Máximo detalha por que, de fato, o valor de Vadico é muito maior do que aquele que lhe foi e ainda lhe é dado. Ao ressaltar a injustiça de o melodista permanecer à sombra de Noel Rosa (seu parceiro em obras-primas como Feitio de oração, Feitiço da Vila, Conversa de botequim e Pra que mentir?), Máximo é voz insuspeita, pois escreveu, com Carlos Didier, o já clássico livro Noel Rosa – Uma biografia. Nesta série da Batuta, ele aponta o toque do pianista e arranjador onde não há registros de seu nome, casos de filmes com Carmen Miranda; praticamente revela (pois quem sabe disso?) sua colaboração com a importante coreógrafa norte-americana Katherine Dunham; indica o quanto de seu trabalho, inclusive na esfera clássica, ficou esquecido ou já se perdeu; e mostra, na sua produção de compositor e instrumentista no final solitário da vida desregrada (interrompida aos 52 anos), o talento reafirmado e amadurecido. O documentário ilumina a obra de Vadico e reivindica, com fartura de dados, um lugar para ele entre os maiores da música brasileira.

Vadico nasceu em 24 de junho de 1910 e morreu em 11 de junho de 1962.

 

Concepção, roteiro e apresentação: João Máximo

Edição e sonorização: Filipe Di Castro