Entre os dias 22 e 30 de novembro de 2017, aconteceu no IMS Rio o curso Literatura e conflitos, uma série de aulas sobre obras relacionadas a embates e lutas armadas. O evento fez parte da exposição Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964, que apresenta um panorama da fotografia de guerras civis e outros conflitos armados envolvendo o Estado brasileiro neste período.

O jornalista, crítico e professor da Escola de Comunicação da UFRJ Paulo Roberto Pires analisou a obra de Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Nobel de Literatura em 2015. Nascida em 1948 na Ucrânia, então parte da União Soviética, ela escreve livros sempre a partir de depoimentos, sobretudo de mulheres. Um deles, de 1985, é A guerra não tem rosto de mulher.

Pires destaca que, ao priorizar os depoimentos de mulheres que foram profundamente afetadas por conflitos (Segunda Guerra Mundial e guerra do Afeganistão) ou tragédias (acidente nuclear de Tchernóbil), Svetlana escolhe um lado da história que não é o oficial, o triunfal, mas sim o da devastação provocada nas pessoas. É um olhar sobre os detalhes, quase sempre dolorosos. E muito incômodos, já que ela sofre perseguições de diversas partes, inclusive do governo russo.

Antes de comentar os livros da escritora e para estabelecer um contraste, Pires falou de três mulheres que participaram de guerras no front, não da maneira de Svetlana. São elas Gerda Taro, Lee Miller e Martha Gellhorn. As fotos a que Pires se refere quando fala sobre as três são encontráveis na internet.

 

Apresentação: Victor Heringer

Edição: Filipe Di Castro