Entre os dias 22 e 30 de novembro de 2017, aconteceu no IMS Rio o curso Literatura e conflitos, uma série de aulas sobre obras literárias relacionadas a embates e lutas armadas. O evento fez parte da exposição Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964, que apresenta um panorama da fotografia de guerras civis e outros conflitos armados envolvendo o Estado brasileiro neste período.

Na primeira das aulas, a escritora e ensaísta paulistana Walnice Nogueira Galvão apresentou os resultados de décadas de pesquisa sobre Euclides da Cunha e sua obra-prima, Os sertões.

Segundo ela, o livro não é “o retrato da Guerra de Canudos, mas o retrato da consciência dilacerada do seu próprio autor”. Euclides da Cunha chegou a Canudos influenciado pelo que Walnice chama de “lavagem cerebral” feita pelos jornais de então. O movimento de Antônio Conselheiro era tratado como foco de restauração da monarquia, coisa que nunca foi.

O escritor acaba torcendo pelos vencidos. Chega a classificar Os sertões de “meu livro vingador”. E a obra se torna monumento do mea culpa que ocorre no Brasil após o massacre cometido pelo Exército.

Walnice conta isso de forma minuciosa, analisando o estilo literário de Euclides e as contradições da narrativa.

 

Apresentação: Victor Heringer

Edição: Filipe Di Castro