Acabou a brincadeira com que o rock da Jovem Guarda divertiu os anos 60. O terceiro capítulo do documentário de Joaquim Ferreira dos Santos sobre o rock no Brasil mostra que foi tarefa pesada fazer rock nos anos 1970 com os militares dirigindo uma ditadura que reprimia as liberdades políticas, culturais e comportamentais. Os Novos Baianos (foto) misturaram cavaquinho com guitarra, Jacob do Bandolim com Jimi Hendrix, e foram morar em comunidade. O pessoal da Bolha, recém chegado do festival da Ilha de Wight, reunia-se nas Dunas da Gal, na praia de Ipanema. O rock experimentou as drogas lisérgicas, deixou o cabelo crescer como jamais aconteceria e, usando a expressão que marca o período, desbundou. Teve momentos progressivos, flertou com a MPB, com a androginia, com os ritmos nordestinos. Fez o que pode para driblar a perseguição da censura. O resultado foi bom, como se pode ver neste penúltimo programa da série, no qual o entrevistado é o pesquisador Nélio Rodrigues, autor de Histórias perdidas do rock brasileiro. Além dos Novos Baianos, surgiram os Secos e Molhados, a carreira solo de Rita Lee, Raul Seixas e, dentro do Vímana, futuros ídolos das multidões, como Ritchie, Lobão e Lulu Santos.

As músicas podem ser ouvidas nos três blocos do programa ou isoladamente.

 

Bloco 1
Mamãe natureza (Rita Lee) – Rita Lee
Sem nada (Arnaldo Brandão) – A Bolha
O vira (João Ricardo e Luli) – Secos e Molhados

Bloco 2
Sábado (Frederiko) – Som Imaginário
Mistério do planeta (Moraes Moreira e Galvão) – Novos Baianos
Let me sing (Raul Seixas) – Raul Seixas.

Bloco 3
Cabala (Sergio Hinds) – O Terço
Miragem (Os Lobos) – Os Lobos
Lady Jane (Nando e Geraldo Carneiro) – A Barca do Sol
Masquerade (Simas e Ritchie) – Vimana
Palco (Gilberto Gil) – Gilberto Gil

 

Apresentação: Joaquim Ferreira dos Santos
Entrevistado: Nélio Rodrigues
Edição e sonorização: Filipe Di Castro