Enquanto os tratores da ditadura estavam à solta nas florestas do país, abrindo estradas como a Transamazônica e a BR-080, o Xingu era exaltado na propaganda oficial como um Éden mantido pelo Estado. Na realidade, o regime incentivava ataques contra os indígenas, invasões de terras e garimpos.

A reação ao projeto da ditadura contou com denúncias vindas de várias pessoas e entidades do Brasil e do mundo. E ecoou nas obras de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Carlos Drummond de Andrade. Mas os protagonistas foram os próprios indígenas, cada vez mais organizados politicamente. O cacique kayapó Raoni se impôs como liderança. Mais tarde surgiram outras, como Ailton Krenak.

Com a inauguração, no governo de Dilma Rousseff, da hidrelétrica de Belo Monte, que ameaça a sobrevivência do Rio Xingu, e a eleição de Jair Bolsonaro, a região sente os efeitos da volta da mentalidade militar ao poder. Os povos continuam resistindo.

 

Concepção, roteiro e apresentação: Guilherme Freitas

Edição e pesquisa: Luiza Silvestrini

Coordenação: Luiz Fernando Vianna

Correspondentes no Xingu: Kamikia Kisedje e Takumã Kuikuro

Mixagem e finalização: Claudio Antonio

Gravação: Filipe Di Castro

Identidade visual: Waxamani Mehinako

Distribuição: Mario Tavares

Trilha sonora: Músicas do disco “A dança dos sopros: aerofones Kuikuro do Alto Xingu”, gravado em 2006 com produção de Carlos Fausto e coordenação musical de Jakalu Kuikuro

 

As duas propagandas da ditadura sobre a Amazônia reproduzidas aqui são “Transamazônica: o caminho do homem”, de 1971, e uma reportagem da Agência Nacional, de 1964. As duas foram cedidas pelo Arquivo Nacional.

A entrevista de Orlando Villas-Boas foi feita pelo jornalista Amaral Netto em 1968, no Parque Indígena do Xingu, e está no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

O trecho do documentário “Índios, memória de uma CPI” foi cedido pelo cineasta Hermano Penna.

As reportagens sobre os protestos dos kayapó são do Acervo Conteúdo Globo.

 

Entrevistados do episódio

Ailton Krenak: Ambientalista, ativista e escritor, autor de “Ideias para adiar o fim do mundo”.

Megaron Txucarramãe: Líder kayapó e primeiro indígena a se tornar diretor do Parque Indígena do Xingu, em 1984.

Olympio Serra: Antropólogo e ex-diretor do Parque Indígena do Xingu.

Rubens Valente: Jornalista, autor de “Os fuzis e as flechas: História de sangue e resistência indígena na ditadura”.