O primeiro emprego de Carmelita Madriaga ao chegar à cidade do Rio de Janeiro, em 1935, vinda do município de Trajano de Moraes, no interior do estado, foi de empregada doméstica na casa de ninguém menos que o Rei da Voz daquele momento, Francisco Alves. O patrão gostou do que ela cantava na cozinha, conseguiu que fizesse bicos nos coros de gravações e, em 1937, Carmelita, depois de ganhar concursos de calouro, tornou-se cantora profissional com o nome de Carmen Costa.

Carmen gravou seu primeiro disco solo em 1941, um 78 rotações que de um lado tinha Está chegando a hora, adaptação de Henricão para o mexicano Cielito lindo, e do outro Só vendo que beleza – dois extraordinários sucessos.

O centenário de Carmen (1920-2007) se completa neste 5 de julho. Ela teve uma carreira de êxitos principalmente em dois gêneros. No carnaval, ela é a cantora de marchas e sambas como Jarro da saudade, Cachaça, Obsessão e Tem nego bebo aí. Sua voz grave, dramática, tornou-a também referência de músicas sentimentais, do samba-canção mais popular e de arroubos passionais, como Eu sou a outra e Quase, clássicos da dor de corno, regravados tempos depois por Maria Bethânia.

Em 1962, Carmen Costa estava nos Estados Unidos (morou lá, casada com um americano) e, por acaso, participou do famoso concerto da bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York. Apresentou-se num número com o guitarrista Bola Sete, mas sua voz passional era estranha no ninho do cool.

Nesta playlist, organizada por Joaquim Ferreira dos Santos, há um pouco de cada uma das vertentes de sucesso de Carmen, que também foi compositora. Muitas dessas canções são assinadas por Mirabeau Pinheiro (1924-1991), seu segundo marido e com quem Carmen teve uma relação complicada, a ponto de aparecer repetidas vezes no noticiário como vítima de violência doméstica. Todas as músicas fazem parte (há ainda outras 101 gravações de Carmen à disposição) do site Discografia Brasileira, do Instituto Moreira Salles.

Repertório

Eu sou a outra (Ricardo Galeno)

Quase (Mirabeau e Jorge Gonçalves)

Obsessão (Mirabeau e Milton de Oliveira)

Cachaça (Mirabeau, Lúcio de Castro, Heber Lobato e Marinósio Filho) – Carmen Costa e Colé

Tem nego bebo aí (Mirabeau e Aírton Amorim)

A morena sou eu (Mirabeau e Milton de Oliveira)

Tem bobo pra tudo (João Correa da Silva e Manoel Brigadeiro)

Só vendo que beleza (Rubens Campos e Henricão)

Augusto Calheiros (Mirabeau, Carmen Costa e Milton de Almeida)

Aquela noite (João de Oliveira e Aníbal da Silva)

Defesa (Vital de Oliveira, Mirabeau e Jorge Gonçalves)

Só você (Mirabeau e Geraldo Blota)

Cretcheu, amor (Cacá e Guigui)

Manchetes de jornal (Mirabeau e Jorge Gonçalves)

O samba no Brasil (Rubens Campos e Geraldo Gomes)

Se eu morrer amanhã (Garcia Jr. e Jorge Martins)

Lágrimas de sangue (Mirabeau, Carmen Costa e Pedro de Almeida)

A mulher do Lino (Luiz Gonzaga e Miguel Lima)

Jarro da saudade (Daniel Barbosa, Mirabeau e Geraldo Blota) – Carmen Costa e Mirabeau

Se eu fosse contar (Irani de Oliveira e Araguari)

Busto calado (Rubens Silva e Cipó)

Está chegando a hora (Henricão (adaptação) e Rubens Campos)

 

Seleção: Joaquim Ferreira dos Santos

Edição: Filipe Di Castro