Texto e seleção de Arthur Dapieve.

Ainda que não fosse o ano de seu 250º “aniversário”, Ludwig van Beethoven (1770-1827) seria incontornável quando se busca alento na música clássica. Alguns fatores extramusicais podem ter ajudado a torná-lo o nome mais popular neste universo, como o temperamento tempestuoso ou o inconformismo diante da surdez. No entanto, sua genialidade musical é, obviamente, o verdadeiro esteio de seu prestígio. E, no núcleo dele, estão as nove sinfonias, algumas das maiores criações do espírito humano.

Foi Beethoven quem reinventou a sinfonia, gênero que já tinha tido entre seus expoentes ninguém mais ninguém menos do que Haydn e Mozart. Suas duas primeiras, apresentadas em público pela primeira vez em 1800 e 1803, respectivamente, ainda são tributos, belos tributos à graça desses nobres antecessores. É a partir da “Sinfonia nº 3”, a Heroica, de 1805, que Beethoven vai apresentando todos os seus trunfos. Entre as outras seis, ainda viriam a “Sinfonia do Destino” (a 5ª), a Pastoral (a 6ª), a Coral (a 9ª)… Cada uma, mesmo as não mencionadas, cheia de personalidade e inventividade.

A audição do conjunto de nove sinfonias, na ordem em que foram compostas, é frequentemente apresentada ao vivo, como um ciclo, nas principais casas de concerto do Brasil e do mundo. Com o fechamento temporário de todas elas, por causa da pandemia do coronavírus, essa aventura de quase seis horas de duração pelo gênio beethoveniano pode ser feita escolhendo-se uma das dezenas de opções de integrais, registradas desde que a música começou a ser gravada. Sugere-se, aqui, a versão do maestro Nikolaus Harnoncourt à frente da sua Chamber Orchestra of Europe, ao vivo, na Stefaniensall, de Graz, Áustria, em 1990 e 1991.